18 May 2024


Paulo Serra: "Resgatamos o amor pela cidade"

Publicado em Política
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 O prefeito de Santo André, Paulo Serra, em entrevista exclusiva, revela que iniciou uma transformação na cidade, que é “permanente”. Disse que este aniversário de 471 anos, que é o último do seu mandato como prefeito, será o “maior da história” do município. Avaliou que hoje, considera ser um prefeito mais amadurecido para encarar os desafios, do que quando iniciou o governo em 2017 e que é, ainda, “mais apaixonado por gente e pela cidade”.

 Disse que tem a sensação de dever cumprido, mas tem uma “grande missão” de escolher o seu sucessor. “Não dá para a gente ter a irresponsabilidade de deixar um piloto assumir que não tem experiência nenhuma na condução desse avião que é a cidade de Santo André”.  Confira.

Folha do ABC- Em 2017, o sr. encontrou a cidade em uma situação econômica difícil. Oito anos depois, como o sr. enxerga que está Santo André?

Paulo Serra - Começamos em 2017 implantando um novo modelo de gestão, uma transformação. Essa era a nossa ideia. Falava muito na campanha de 2016 que a cidade precisava voltar a plantar para poder colher. E essa colheita, efetivamente, gerou bons frutos. A gente conseguiu não só plantar, como também colher. Iniciamos uma transformação que é permanente na cidade. Atravessamos uma pandemia, que foi um outro grande desafio.

   Então, claro que nem tudo sai conforme o planejado, dentro das expectativas, não resolvemos todos os problemas. Nós não temos essa pretensão, mas que a cidade está mudando e muito melhor, em todos os aspectos, comparados a 2017, não tenho dúvida. A gente evoluiu financeiramente, administrativamente, as áreas, especificamente.

   Temos, hoje, uma saúde melhor, saneamento básico melhor, de 30% para 80%. A gente tem, hoje, uma saúde muito mais consolidada e com tempos de espera muito menor, sem fila de inúmeras especialidades, sem filas de exames. A rede está mais estruturada, mais modernizada, mais bonita. Já passamos em 25 equipamentos de saúde, temos mais 5 que vamos entregar ainda neste ano. Fora os novos equipamentos.

   Na Educação, a mesma coisa, evolução, com robótica, com segundo idioma, com aula em ensino integral, com a municipalização de escolas.

   A cidade está mais limpa, mais organizada, mais bonita. E isso tudo, essa transformação, gera nas pessoas um sentimento também de participar mais da cidade, de curtir mais, de viver mais. Então, temos uma cidade, hoje, muito viva, inclusive nos 471 anos, vamos dar a oportunidade para as pessoas declararem o seu amor pela cidade. Esse é o mote da nossa campanha de aniversário, porque a gente vê que houve essa reconexão, essa transformação. Ela criou uma cidade melhor do ponto de vista das políticas públicas, mas também dessa reconexão com as pessoas. Acho que esse é o grande ponto, é o grande avanço que enxergo nesses oito anos, além de questões pontuais.

   A dívida que a gente reduziu em 80%, a capacidade de novo de investir em obras. Temos mais de R$ 1 bilhão em obras já entregues e em andamento. A credibilidade que a gente voltou a gerar também na iniciativa privada, que faz aqui uma série de investimentos. Vemos todo dia, a gente anuncia o que fez a gente liderar os dois últimos anos no Caged, 2022 e 2023. São André foi a cidade da região que mais gerou emprego. Então, é toda uma engrenagem que, hoje, está funcionando muito melhor.

Folha - É o 8º aniversário da cidade tendo o sr. como prefeito. Como avalia essa evolução na programação, que neste ano terá 100 atrações.

Serra - Hoje, são 100 atrações. No começo era mais singelo um pouco. Acho que foi evoluindo, conforme a própria cidade. Acho que tem aí uma sintonia muito grande. A cidade foi melhorando os seus serviços públicos, foi se organizando. Então, os eventos também foram crescendo. Quando falo da reconexão das pessoas que confiam muito e tenho certeza que elas querem que essa transformação continue, aí os eventos refletem isso. Há cada vez mais gente participando.

   Um outro aspecto fundamental é o conceito que a Ana Carolina introduziu na gestão, antes de ser deputada e continua, agora, como deputada,  que é o conceito da solidariedade. Vai ser o maior aniversário da história da cidade esse ano. Primeiro pelo momento que a cidade vive, pelo tamanho dos eventos e por esse caráter solidário que se consolidou. Então, tem um conceito. Não é só fazer uma feira. Não é só chamar gente, os artistas. Não é só organizar isso fisicamente. Tem todo um espírito na cidade, hoje, que ela participa porque ela sabe que ajuda quem mais precisa.

   Ela sabe que as mais de 50 entidades, que estarão expondo na Feira da Fraternidade, vão transformar a vida de muita gente no dia a dia delas na ponta. Uma feira dessa representa, às vezes, o custeio de seis meses da entidade. Tem um caráter solidário importante. E nós conseguimos fechar também com grandes atrações. Vamos ter o Roupa Nova no dia do aniversário, que é a principal atração. Temos o Arnaldo Antunes no sábado, Inimigos HP e tantas outras. Estou muito feliz com isso de cantar um parabéns pra cidade do tamanho que a cidade merece.

Folha - Este quarto e último ano do segundo mandato será focado em entregas? Vai dar tempo de entregar todas as várias obras que estão em andamento?

Serra - As grandes obras, até o final do mandato, sim. A nossa perspectiva é essa. As grandes obras, o Hospital da Vila Luzita, por exemplo, entregamos até o final do ano.

   Mas no mês de abril, fizemos um grande mix, dessa coisa da relação das pessoas. De declarar o seu amor. É um mix de cultura, esporte, lazer ou entregas que melhoram a vida das pessoas na prática. Então, viaduto, unidade de saúde, hospital veterinário, teatro municipal. Tudo isso vai ser entregue, esse calendário de aniversário.

   E, além da Feira da Fraternidade, vamos ter o Dia D, no dia 28, com o Sandro Dias, que é um evento do skate que é muito aguardado na cidade e entregamos o Parque da Atlântica. Vamos ter um evento no Guaraciaba, neste final de semana. Estamos tentando consolidar o Parque Guaraciaba também como um espaço de eventos. Em Santo André é muito tradicional o Parque Central e no Paço. Estamos tentando descentralizar.

Folha - Como o sr. avalia a sua trajetória? Como era o prefeito Paulo Serra em 2017, e agora, em 2024?

Serra - Acho que com muito mais aprendizado, Com uma experiência de vida, que esses sete anos e três meses me proporcionaram uma experiência muito rica. Primeiro de enfrentar esses desafios. E até além do que a gente esperava. No caso da pandemia era algo que ninguém estava preparado, mas acho que no momento mais desafiador da cidade, da história da humanidade, a gente se saiu muito bem. A gente como cidade. Então, isso me fortaleceu muito. Ensinou-me muito. Isso me fortaleceu muito como ser humano mesmo, como pai, como cidadão. Então, é um aprendizado enorme. Acho que se a gente tivesse mais tempo, hoje, estamos ainda mais preparados para tocar essa cidade, com muita convicção do caminho que ela tem que seguir, que é esse caminho, desse modelo de gestão, dessa transformação.

   Então, sou hoje um ainda mais apaixonado por gente, pela cidade e me considero mais amadurecido também, pra encarar os desafios que virão.

Folha - Quais foram os maiores desafios? Houve algum erro?

Serra - Teve. Talvez no início da gestão. A gente, com muita vontade de fazer, fechamos aquelas sete unidades de Saúde no início. Não é um erro, porque o programa existe. Hoje, a gente está com o QualiSaúde. Todo mundo sabe, mas talvez a forma, ela foi equivocada. As pessoas naquele momento não compreenderam o que estava sendo feito. Ficamos meio aborrecidos com as críticas, nos sentindo um pouco injustiçados. Mas também, quando você faz uma autoanálise, podíamos ter comunicado melhor, ter falado com as pessoas melhor. Na questão também do IPTU, em 2018. A gente depois fez algo progressivo, muito mais debatido com a sociedade.

   A gente vê que a gente consegue um programa de justiça tributária, de desburocratização, de incentivo, que é muito mais eficiente. Aprendemos a ouvir mais também. Hoje, sou um cara que ouço muito mais. No início da gestão você fica muito refém do seu Plano de Governo, daquilo que você se comprometeu com a cidade. Mas, a forma de você chegar nesse plano é com o diálogo, que às vezes você adia um pouco, dá mais trabalho do ponto de vista operacional e você sai com aquela vontade de querer fazer tudo rápido. Vamos implantar o programa. Às vezes faltou uma reunião, um diálogo.

   Quando vejo projetos pessoais na cidade, de vaidade. E a gente já vê alguns políticos na rua. Isso não tem bom resultado. Então, acho que é essa questão de ter mais paciência e mais convicção, no que está fazendo, para ouvir, para dialogar.

   A gente pode ter, no caminho, cometido alguns erros nesse sentido. Nunca com má intenção. Sempre a intenção foi melhorar, acertar. A gente não tem compromisso com o erro. Mas, às vezes menos no conteúdo, mais na forma. Talvez teria feito alguns programas, implementado de forma mais gradual, dialogada. E a gente acerta quando ouve mais.

Folha- Como você avalia a sua carreira até agora e o que espera após o final do mandato?

Serra- Estou muito feliz de estar finalizando o último ano. Primeiro cumprindo o nosso plano de governo. Praticamente 100% dos planos de metas. Já estamos com 80% do plano de metas cumprido. Então, estou muito feliz com o carinho das pessoas. Para mim, não é uma questão de envaidecer pessoalmente. Fico muito feliz com o carinho das pessoas, porque, de alguma forma, a transformação que iniciamos em 2017 impactou a vida delas. Esse reconhecimento, às vezes, vem através de tirar uma foto, de um abraço, de um ‘parabéns prefeito, é uma pena que você não pode continuar’. Ouço muito isso. Mas, esse carinho para mim é o sucesso da gestão estar ligada na mudança da percepção que as pessoas têm com relação à cidade.

É uma sensação boa de dever cumprido e, agora, temos uma grande missão, também, uma grande responsabilidade. Manter essa transformação no processo que vai ocorrer em outubro na eleição. Vamos passar essa mensagem para as pessoas de uma forma muito responsável. Não dá para a gente ter a irresponsabilidade de deixar um piloto assumir que não tem experiência nenhuma na condução desse avião que é a cidade de Santo André.

E no futuro, as alternativas são as mais variadas. Para mim, gosto muito de projeto. Então, se puder participar de um projeto nacional legal... O governador tem me chamado sempre, para participar também e a gente está aberto. O Tarcísio faz um grande trabalho, tem ido bem. Vamos ver o que a vida nos aguarda. Eu não tenho um projeto definido. Se serei candidato a senador? Deputado? Não, quero participar de projetos e manter esse carinho com a cidade.

Tenho um grande desafio para a cidade. Já sabemos, hoje, a importância de ter uma deputada estadual. É claro que a Ana Carolina representa o Estado, mas ela tem uma base muito forte em Santo André. Os compromissos, os programas foram todos de Santo André. Precisamos fazer isso também no âmbito federal, porque não temos um deputado federal da cidade. Temos deputados que são parceiros da cidade. O Alex Manente, até o Kim Kataguiri, e tantos outros. Mas, a gente precisa ter um deputado da cidade. Esse é um dos desafios para a gente construir a partir do ano que vem.

 

Folha - Neste ano eleitoral, há membros do seu governo que estão ensaiando pré-candidaturas. O sr. acha que é possível manter o grupo unido até o final do mandato?

Serra - Não são vários membros, acho que tem um específico. Todos os demais estão pacificados e cada um na sua posição. A gente tem um time. Fazendo uma metáfora com o futebol, não dá para o lateral direito querer marcar gol e ser centroavante, entendeu? E o conceito do time é esse. A maioria compreendeu. Outros, talvez, não compreenderam. Falando especificamente do vice-prefeito, é uma boa pessoa, de bom coração, mas tenho que ter muita responsabilidade na escolha. Não posso passar o comando desse avião, com tantas famílias embarcadas, para alguém que nunca pilotou nada e não tem essa experiência na gestão. Teve a chance, não aproveitou, não foi bem e não quis mais ter a experiência.

   Não é só uma questão de política, né? Agora, quando essa boa pessoa também começa a se agregar, a se unir com pessoas não tão bem intencionadas assim, causa uma certa preocupação ética. Todos os movimentos são legítimos, mas fico preocupado.

   Primeiro com a questão administrativa e, depois, com a questão moral e ética de alguns que para nós é um livramento. Mas que estão tentando, de alguma forma, interromper esse processo de crescimento. E não venham falar de continuidade. O grupo do governo vai escolher o seu candidato. O governo todo vai escolher um candidato único. Em breve, vamos anunciar para a cidade. Agora, não dá para querer roubar essa legitimidade que a gente tem. Entre outras questões éticas e morais, cada um tem a sua consciência e sabe do que estou falando.

Folha - O sr. irá conseguir quebrar o paradigma da sucessão? Desde 1972 nenhum prefeito elege seu sucessor.

Serra - Essa questão de quebrar paradigmas já conseguimos. Há 20 anos que não se reelegia um prefeito, desde o Celso Daniel. Conseguimos com índice, inclusive, superior ao dele.

   É a mesma coisa a questão de deputado. Acho que desde o Luizinho e Siraque, do Brandão e do Duílio, que eram muito ligados à cidade, nós não tínhamos. Chegamos a ter quatro.

   Hoje, temos uma, mas conseguimos quebrar isso. Não tem problema nesses desafios. Acho que, hoje, a população também, nessa reconexão que a gente conseguiu, tem uma maturidade muito grande para poder escolher. Acredito muito na continuidade real, legítima. Acho que a cidade não aceita a continuidade série B ou a continuidade genérica.

  A continuidade real é a que o nosso grupo vai levar para a cidade. Sobre voltar, não sei. É muito longe. Acho que, primeiro, é manter esse grupo unido. A partir daí, como disse, no futuro, vamos ver o que a vida aguarda para nós.

Folha - Qual o último presente de 471 anos para Santo André?

Serra - O último presente é o resgate do amor pela cidade. Esse é o último e o melhor presente que a gente pode deixar. Porque quando as pessoas vivem, se reconectam, tem uma questão de uma cidade muito viva, com muita alma e coração, mas também tem uma questão de nos ajudar a construir e manter a cidade.

   Então, o maior presente é esse sentimento de conexão e de amor pela cidade, que as pessoas vivam, curtam cada vez mais Santo André. É isso que a gente está tentando também, nesse aniversário especificamente, deixar como presente. Neste ano, além de falar de futuro, é amar a cidade, participar, viver, curtir, nos ajudar a construir essa cidade que todos nós queremos, e que está muito melhor, hoje, do que estava em 2017, quando a gente começou.

 

 

(Foto: Eduardo Merlino/PSA)

 
Última modificação em Domingo, 07 Abril 2024 11:11
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