18 Apr 2024

Publicado em Editorial
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   O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como "genocídio" e "chacina" a resposta de Israel na Faixa de Gaza aos ataques terroristas promovidos pelo Hamas. Ele comparou a ação israelense ao extermínio de milhões de judeus pelos nazistas comandados por Adolf Hitler, no século passado.
   “Fico imaginando qual é o tamanho da consciência política dessa gente. E qual é o tamanho do coração solidário dessa gente que não está vendo que, na Faixa de Gaza, não tá acontecendo uma guerra, mas um genocídio. Não é uma guerra entre soldados e soldados. É uma guerra entre um exército altamente preparado e mulheres e crianças", disse Lula. O petista fez a declaração, durante entrevista coletiva, no último fim de semana, em Adis Abeba, na Etiópia, onde participou, nos últimos dias, da 37ª Cúpula da União Africana e de reuniões bilaterais com chefes de Estado do continente.
   Na ocasião, Lula havia sido questionado sobre a decisão de alguns países de suspender repasses financeiros à agência da Organização das Nações Unidas (ONU) que concede assistência para refugiados palestinos, a UNRWA.
   A Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, afirmou, no domingo (18), que o "presidente Lula condenou desde o dia 7 de outubro os atos terroristas do Hamas".
   As declarações geraram forte reação do governo israelense, que declarou o presidente Lula como "persona non grata". O governo do Brasil convocou de volta ao país o embaixador brasileiro em Israel, Fred Meyer, na segunda (19), após ele participar de uma reunião com o ministro de Relações Exteriores israelense, Israel Katz, no Museu do Holocausto, em Jerusalém.
   De acordo com o governo de Israel, Lula voltará a ser bem-vindo no país caso se desculpe.
   A primeira-dama Rosângela da Silva, Janja, afirmou sentir orgulho do marido e disse que Lula se referiu “ao governo genocida e não ao povo judeu”.
   É possível admitir críticas ao governo de Israel por reagir ao ataque terrorista do Hamas, com milhares de mulheres vítimas estupro coletivo e mutilação de seus corpos, e atos de extrema violência, como colocar pregos em coxas e virilhas, cortar seios com estilete, queimar rostos, arrancar unhas e esfaquear mulheres pelas costas enquanto as estupram. Porém, é inaceitável comparar a ação israelense com o Holocausto e os 6 milhões de judeus mortos pelo nazismo de Hitler.
   O assessor para assuntos internacionais Celso Amorim, revelou ao Estadão, que: “Existe zero possibilidade de o presidente Lula pedir desculpas. Ele não fez nada errado. Só citou fatos históricos”.
   Os principais jornais e veículos de comunicação de todo o mundo repercutiram as afirmações do presidente, com tom negativo. Se este posicionamento se mantiver, o governo brasileiro pode, também, colocar em risco o trabalho que vem sendo realizado, desde o primeiro ano de gestão do novo mandato. Em 2023, Lula viajou para 19 países para reverter a demanda reprimida em relação à atuação do Brasil na esfera internacional, durante o mandato do último governo, e abrir portas para gerar oportunidades de negócios no exterior.
   Interlocutores do presidente avaliam que Lula deveria vir a público para tratar novamente do conflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas na Faixa de Gaza. Não para ceder ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin  Netanyahu, mas para se dirigir à comunidade judaica no Brasil e no mundo, para falar que, em nenhum momento, teve a intenção de atacar os judeus.
   O presidente não acertou ao incluir a figura de Adolf Hitler e do Holocausto nas críticas a Israel. É imprescindível que algo seja feito, além de notas oficiais, declarações de ministros e uma resposta incisiva do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, para reordenar o cenário e evitar desdobramentos ainda piores, em relação o povo judeu, e que possam gerar, ainda mais, instabilidade política e econômica do Brasil a nível internacional.

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