13 Aug 2020


O rearranjo de forças da UE

Publicado em Editorial
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Nas eleições para o Parlamento Europeu a participação popular, em todo o continente, foi a mais alta nos últimos 20 anos, quase 51%. Embora permaneçam como maioria, os partidos de centro perderam maioria absoluta no Parlamento. Partidos liberais e verdes ganharam espaço, assim como os grupos de extrema direita.
Cerca de 28 países participaram do pleito. Após as eleições gerais, encerradas no domingo (26) de maio, os resultados computaram: das 751 cadeiras do Parlamento Europeu, 254 serão ocupadas pela esquerda; 289 pelo centro e 172 pela direita. O restante está dividido entra cadeiras vagas e sem grupo.
A política desenhada com os resultados mostra um continente mais dividido. Chegou-se a prever um crescimento significativo da extrema direita, mas, isso não ocorreu. A hegemonia no Parlamento continua com o partido de centro direita, Partido Popular Europeu (PPE).
Na Itália, a Liga, partido de extrema direita liderado pelo vice-premiê Matteo Salvini teve bom desempenho, o que gerou boatos de uma nova votação nacional, para dar mais poder a ele. Mas, a neta e bisneto do ditador italiano Benito Mussolini, Alessandra Mussolini e Caio Giulio Cesare Mussolini, não conseguiram ser eleitos pa-ra o Parlamento. Cesare, que concorreu pelo partido ultraconservador Irmãos da Itália, obteve 22 mil votos. Alessandra, que há 27 anos está na política, obteve cerca de 15 mil votos. Já o bilionário e ex-primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, que se lançou há 25 anos na arena política, foi eleito pela primeira vez para o Parlamento Europeu. O partido de Berlusconi, o Força Itália, faz parte da família do PPE.
Na França, a extrema direita também teve bom desempenho. O partido da ultradireitista Marine Le Pen derrotou a lista do presidente da França, Emmanuel Macron. Mas, por apenas nove décimos, uma vitória inferior à prevista nas pesquisas, que ameniza o golpe sofrido pelo presidente. A Reunião Nacional (RN) de Marine obteve 5,28 milhões de votos (23,31%), pouco mais de 200 mil do que a lista de Macron (22,41%). Para quem, no entanto, tem sido acossado pelo movimento Coletes Amarelos, não parece mau resultado para Macron.
Na Alemanha, o CDU-CSU, de Angela Merkel, venceu, e os Verdes ultrapassam os sociais-democratas (SPD). O Partido Verde foi o segundo mais votado do País, com 20,5%. Alguns analistas enquadraram esse avanço como um fenômeno, uma “onda verde” de eleitores, que também obtiveram sucesso em Portugal e em outros países da Escandinávia.
No Reino Unido, possivelmente a última eleição europeia de que os britânicos participam, houve o previsto fracasso do Partido Conservador, de Theresa May, primeira-ministra demissionária, e perdas da legenda Trabalhista. O grande vencedor foi Nigel Farage, do Partido do Brexit (saída do país da UE). Mas, as forças europeístas, somadas, acabaram ainda, ficando à frente dos brexistas. Na Espanha, os socialistas (Psoe), de Pedro Sánchez, contiveram o crescimento da direita.
Pode-se concluir que as urnas mandaram recados para o bloco majoritário, contra a centralização do poder na burocracia de Bruxelas, sede da UE. Poderá ser aberto algum espaço para interesses regionais, com temas polêmicos, como a imigração, por exemplo. As eleições europeias servi-ram também para medir a força das lideranças regionais. Portanto, diante da divisão europeia, será preciso exercitar a política ao máximo, para não se perder o projeto de união em um continente em que milhões morreram nas duas grandes guerras. E ainda assimilar a vitória da extrema direita, já, bem mais presente no Parlamento.

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