19 Apr 2024

Publicado em Editorial
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   O governo federal lançou, na segunda (22), o plano ‘Nova Indústria Brasil’ (NIB), com R$ 300 bilhões para financiamentos no plano de ações até 2026, que vai nortear o desenvolvimento do setor com sustentabilidade e inovação até 2033.
   O texto foi construído ao longo do último ano, com a participação de membros do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI). Na prática, define o governo como principal indutor do desenvolvimento do setor.
   A nova política foi apresentada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, durante reunião do CNDI, com a participação do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
   O valor equivale a mais do que o dobro do orçamento anual da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, que é de US$ 27,2 bilhões em 2024 e supera em 17 vezes o orçamento da ONU (Organização das Nações Unidas) em 2024, que é de US$ 3,6 bilhões.
   A proposta se pauta na volta do Estado como principal indutor do desenvolvimento nacional. Em três anos, serão investidos R$ 300 bilhões. Do total financiado, R$ 250 bilhões virão do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e o restante da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e da Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial).
   Além das linhas de crédito e financiamento, o programa prevê ações regulatórias e uma política de obras e compras públicas em seis áreas principais: agroindústria; bioeconomia e meio ambiente; defesa; infraestrutura - saneamento, moradia e mobilidade; saúde e tecnologia.
   Entre as metas estão: a ampliação da participação da produção nacional de 42% para 70% em medicamentos, vacinas, equipamentos e dispositivos médicos; aumento da participação da agroindústria no PIB e atingir 70% de mecanização nos estabelecimentos de agricultura familiar; a redução do tempo de deslocamento dos brasileiros de casa para o trabalho em 20%; e a diminuição em 30% a emissão de gás carbônico na indústria, ampliando o uso dos biocombustíveis nos transportes. Alguns economistas criticaram o plano e falaram sobre o risco de agravamento do quadro fiscal com a retomada de medidas empregadas em gestões anteriores do PT.
   Contudo, o plano não deixa de ter o aspecto de incentivador do desenvolvimento da indústria nacional, que perdeu sua competitividade ao longo dos anos, porque, dentre outros fatores, como a alta carga tributária, também apresenta um parque fabril sucateado e obsoleto, na comparação com outros polos industriais mundiais e que impede o setor de avançar.
   Em maio de 2023, a questão foi mencionada no discurso do presidente da Fiesp, Josué Gomes. Na ocasião, o empresário relembrou o enfraquecimento da indústria nacional, nas últimas décadas. “O Brasil também, entre os anos de 1940 e 1980, ostentou o maior crescimento mundial, puxado pela locomotiva da indústria. A indústria brasileira catapultou o Brasil para colocá-lo entre as dez maiores economias do mundo, alcançando quase 30% de participação do PIB. Infelizmente, nas últimas quatro décadas, a indústria encolheu, definhou e está, hoje, entre 11% e 12% do PIB. Não é à toa que o Brasil, nos últimos 10 anos cresceu 0,6% ao ano”, disse.
   Talvez não seja possível reverter esse quadro até 2033, mas avançar no desenvolvimento e fortalecimento da indústria é essencial para a economia brasileira.

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