21 Apr 2024

Publicado em Editorial
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   Na segunda (8) de janeiro, completou um ano dos atos que ficaram conhecidos como ataque aos Três Poderes e à democracia, em Brasília (DF).
   Para relembrar o ocorrido, foi realizado um evento no Congresso Nacional, que reuniu o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Intitulado "Democracia Inabalada", o ato teve como objetivo reafirmar a importância e a força da democracia brasileira e restituir ao patrimônio público, de maneira simbólica, alguns itens depredados durante a invasão.
   Eram esperados cerca de 500 convidados, porém, o evento teve ausências de governadores e parlamentares alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), não contou com a presença do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e de quatro ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Deputados e senadores de partidos de oposição ao governo também faltaram em massa à solenidade.
   O líder do governo no Congresso Nacional, senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), afirmou que a ausência de parlamentares de oposição foi “lamentável”.
   Além disso, neste episódio de 1 ano dos ataques foi possível visualizar, de maneira reveladora, a disputa entre duas visões divergentes sobre o simbolismo daqueles atos. As duas pautadas, evidentemente, na polarização entre o petismo e o bolsonarismo, e que, claro, serão exploradas para fins eleitorais nas eleições municipais deste ano.
   De um “lado”, o governo Lula descreve os atos de 8 de janeiro como uma tentativa fracassada de golpe de Estado. O presidente enfatizou em seu discurso que todos aqueles que financiaram, planejaram e executaram a tentativa de golpe devem ser “exemplarmente” punidos. “Não há perdão para quem atenta contra a democracia, contra seu país e seu próprio povo. O perdão soaria como impunidade, e a impunidade como salvo-conduto para novos atos terroristas no nosso país”, disse. Assim, seu grupo político é posicionado como os guardiões da democracia.
   Mas, a mobilização que marcou o aniversário da derrota do “golpismo” acabou sendo, majoritariamente, restrita a membros do governo, de sindicatos e organizações de esquerda ligadas ao PT e ao PSOL.
   De outro lado, há a direita bolsonarista buscando minimizar sua possível ligação aos atos de 8 de janeiro, além de fazer esforços para transformar a punição aos vândalos e seus mentores em demonstrações de que o grupo sofre perseguição política. Também já tentaram provar que o governo Lula foi intencionalmente conivente com os ataques em Brasília e, até mesmo, que a violência havia sido incitada por membros da esquerda infiltrados.
   Depois, a narrativa bolsonarista se direcionou ao fato de o 8 de janeiro não merecer a classificação de ato golpista, pois não contou com apoio do Legislativo, do Judiciário ou sequer das Forças Armadas. Houve até um vereador de Porto Alegre, em março do ano passado, que propôs um projeto que instituía o 8 de janeiro como o “Dia do Patriota” na cidade. Virou lei, mas foi revogada meses depois. Ainda foi divulgada, na sexta (5), nota de repúdio de 30 senadores de oposição ao ato convocado por Lula.
   Contudo, a disputa pela narrativa mais apropriada para definir o que foi o 8 de janeiro está só começando. A retórica “perfeita” ainda será disputada e impulsionará o início da corrida eleitoral. Um recado, talvez ignorado por ambos os lados, foi que o marco do 1 ano dos ataques praticamente não contou com a presença efetiva da população brasileira. Talvez, por estar esgotada de ter que se posicionar de um lado ou de outro, obrigatoriamente, e assim, continuar sendo massa de manobra de interesses políticos eleitorais.

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