21 Sep 2020

Publicado em Editorial
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A volta às aulas anunciada pelo Governo do Estado para o dia 8 de setembro tem gerado preocupação, e indefinição entre os pais de alunos de escolas públicas e particulares. Sem o controle da pandemia no Brasil, alguns pais resistem em aceitar uma retomada no ensino presencial.
Segundo o Plano São Paulo, do governo estadual, as aulas, nas escolas públicas e privadas, que contemplam todas as etapas de ensino, poderiam ser retomadas se 100% das regiões estiverem na fase 3 (amarela) da flexibilização, durante 14 dias. Porém, atualmente, ainda há regiões classificadas na fase 1 vermelha, a mais restritiva e, muitas outras, na fase 2 (laranja). O plano ainda prevê que escolas operem com 35% da capacidade máxima de alunos. Para isso, já sugerido um rodízio entre os alunos e a manutenção de um sistema híbrido, reunindo o ensino presencial e o ensino remoto. De acordo com o governo, há 13,3 milhões de alunos em todo o sistema de ensino no Estado.
Na cidade de São Paulo, o Conselho Municipal de Educação preparou resolução para deixar claro que os pais poderão optar por mandar os filhos para as escolas durante a pandemia, mesmo com o retorno autorizado pelo Estado. Com a medida, o aluno não receberá falta e deverá continuar com a educação remota em casa. Os pais também não poderão ser responsabilizados judicialmente, posto que a matrícula e a presença na escola são obrigatórias por lei no Brasil, para crianças e adolescentes de 4 a 17 anos.
No ABC, não será diferente. Os prefeitos Paulo Serra (Santo André), Gabriel Maranhão (Rio Grande da Serra), Adler Kiko Teixeira (Ribeirão Pires) e Atila Jacomussi (Mauá) já anunciaram a volta às aulas presenciais apenas em 2021. Orlando Morando (São Bernardo), José Auricchio Júnior (São Caetano) não definiram, oficialmente, quando será o retorno, mas já declararam, por meio das redes sociais, que as aulas presenciais não deverão voltar no dia 8 de setembro. Em Diadema, ainda não houve decisão, por parte do prefeito Lauro Michels.
Na quarta (29), professores da rede pública de São Paulo protestaram contra a volta as aulas presenciais. O protesto, organizado pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) reuniu cerca de 260 veículos. Na ocasião, a presidente da Apeoesp, também deputada estadual, Professora Bebel (PT), justificou que muitas escolas não têm estrutura para seguir o protocolo sanitário sugerido pelo governo estadual. Segundo ela, muitas escolas não possuem ventilação adequada, têm salas improvisadas, não têm pia nos banheiros e nem papel higiênico.
Já em relação aos pais, os dilemas giram em torno da segurança dos filhos. Se por um lado, os pais que são favoráveis ao retorno, argumentam que não têm com quem deixar os filhos, enquanto trabalham e, ainda que as crianças são menos suscetíveis à Covid-19, representando apenas 2% dos casos no mundo, ainda mesmo que elas contraiam o vírus, o quadro é menos agressivo do que nos adultos, com menos chances de morte; do outro, outros pais temem que os protocolos sanitários não sejam possíveis de serem seguidos integralmente pelas crianças, mesmo com supervisão dos professores, que o retorno, faltando três meses para o fim do ano, criará uma onda de infecções entre as crianças e, se disseminará a epidemia nas casas desses alunos.
O adiamento das aulas presenciais é só mais um problema gerado pela pandemia. Porém, num país batendo recorde de mortes, com mais de 1,5 mil em 24 horas, chegando aos 90,1 mil óbitos no total e 2,5 milhões de brasileiros infectados, com média móvel de casos de 46,2 mil por dia, é mais do que prudente adiar o retorno às escolas.

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