19 Sep 2019

Publicado em Fabio Picarelli
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Este ano será para o Brasil uma data especial. Sim, porque nele terão lugar dois acontecimentos que tocam na alma das pessoas. Um novo presidente da república será eleito, depois do ano político caótico que não gostaríamos de repetir, e será o ano em que a seleção de futebol tentará a desforra, na Copa da Rússia, pela vergonha da derrota por 7 a 1 contra a Alemanha no Mineirão.
Neste ano as urnas serão um termômetro para saber até onde chega a febre de desalento dos brasileiros com a política e seus desejos de renovação. Saberemos se querem que as coisas mudem para melhor ou preferem que continuem se arrastando no desgoverno e descaramento que estamos vivendo. O resultado da seleção na Copa da Rússia, hoje nas mãos de Tite, um treinador discreto e com pulso firme, poderia influenciar positiva ou negativamente as eleições que se apresentam como uma das mais complexas e difíceis em muitos anos? Não acredito nisso. A sociedade, deseja renovar a política para recomeçar, com gente nova, um processo mais transparente.
O futebol, nem sequer no Brasil, desperta hoje aquela paixão dos tempos em que este país ganhava uma Copa atrás da outra e se identificava com a bola bem jogada. O futebol, paixão quase universal, carregada de símbolos, foi profanado por corruptos da FIFA, assim como acontece com a política brasileira que se vê cada vez mais envolvida em mazelas. Mas, ainda assim, o futebol continua vivo nas veias de milhões de brasileiros. E a política movimenta cada vez mais discussões calorosas, seja por meio das redes sociais, seja em reuniões informais de família, ou nos famosos papos de final de semana entre amigos. Nunca se viu tamanha participação dos brasileiros nos problemas nacionais. De toda forma, não podemos esquecer que foi, curiosamente, a partir do desastre da última Copa, com as vaias contra a ex-presidente Dilma, que se aprofundou a crise política que nos conduziu até o desastre de hoje.
Cada um decidirá, tão logo acabe a Copa, quem escolher para recompor o Brasil que, de país do futuro, se viu descarrilar em um presente sem rumo. O Brasil parece estar precisando de um presidente normal. Sim, normal, não tocado pelo lixo da corrupção, com capacidade e sabedoria para levantar os ânimos de um país em depressão e de reunificar os que a degradação da política levou a se enfrentarem duramente.
Um presidente normal, que não precise de grande biografia, como a maioria dos que governam o destino dos países com a maior qualidade de vida e a maior justiça social. Quantos sabem os nomes dos presidentes dos dez países nos quais, segundo a ONU, se vive melhor e há menos pobres e analfabetos, se houver algum? Normal significa que não precisa ser um herói, nem um santo, nem um messias, nem um justiceiro. Simplesmente, uma pessoa preparada, séria e honesta, disposta a pensar mais no país do que em seus privilégios de hoje e de amanhã. Existe?
O Brasil me parece um país rico e complexo internamente, uma mistura de tantas experiências sedimentadas ao longo de séculos, embora hoje profundamente decepcionado.
E essa decepção já foi plasmada pelo grande Guimarães Rosa, em Grande Sertão Veredas, quando escreveu: “Pensar mal é fácil, porque esta vida é embrejada. A gente vive, eu acho, é mesmo para se desiludir… A “sem vergonhice” reina tão leve, que por primeiro não se crê no sincero sem maldade”. É o que o Brasil está vivendo, onde a “sem vergonhice” a que se refere Guimarães nos levou a ver maldade até onde poderia existir sinceridade.
O Brasil é hoje o país do futebol ou o país da crise política?

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